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Verne Ho - Entrevista

Verne Ho - Entrevista

Designer, fotógrafo, instagramer, Verne Ho parece ter uma energia inesgotável que lhe permite desenvolver mil e um projectos, todos eles relacionados com a fotografia. estivemos à conversa com Verne no Porto.

 

Fala-nos um pouco de ti e de como chegaste à fotografia.

O meu nome é Verne e sou um designer e fotógrafo que vivo entre São Francisco e Toronto. De dia lidero a equipa de UX do Shopify e à noite ocupo-me de uma mão cheia de projectos pessoais, incluindo a fotografia.

Comecei a fotografar há quase três anos como forma de preencher um certo vazio criativo. A fotografia sempre me despertou curiosidade, dada a sua relação com o design, mas senti-me sempre um pouco intimidado pelo lado técnico da fotografia. No final de 2014 conheci um colega designer que me introduziu às maravilhas da fotografia mobile, que de forma imediata aproximou-me muito à fotografia. O meu iPhone rapidamente se tornou o meu escape.


De que forma é que fotografar com o teu telemóvel te aproximou à fotografia?

Penso que ao começar a fotografar com o meu telemóvel me levou a tomar uma abordagem em que dava prioridade ao conteúdo. Ajudou-me a focar nos princípios fundadores da fotografia - composição, iluminação e narrativa - sem me preocupar com o equipamento. Fotografar apenas com o telemóvel também me ajudou a descobrir e ligar-me à minha paixão pela simetria, linhas, escala e minimalismo - todas coisas para as quais não é necessária muita tecnologia para as atingir. Penso que isto tem muito a ver sobre a forma como descobri o meu caminho para a fotografia de rua e de arquitectura, géneros que dependem da beleza crua e natural dentro da composição.

 


Como se processou a tua passagem para o equipamento que usas hoje? fala-nos do teu set-up actual.

Após 6 meses a fotografar exclusivamente com o meu telemóvel, decidi que era altura de avançar para a minha primeira câmara, Queria algo tão poderoso como as DSLR de topo, mas com uma portabilidade mais comparável ao meu telemóvel (tinha como objectivo nunca me debater, quando saía de casa, com a questão se devia ou não levar a câmara por causa do seu peso ou tamanho).

Fui a uma loja de fotografia em Toronto e testei quase todas as câmaras, concluindo que qualquer marca conseguia produzir os mesmos resultados e rapidamente entendi que a minha escolha iria recair naquela câmara com que me sentisse bem.

Lembro-me de pegar na Fujifilm X-T1 e saber quase de forma imediata que aquela seria a minha câmara. O grip, o posicionamento dos comandos, o anel de abertura - todos pareciam caber perfeitamente na minha mão. O viewfinder duplo, o display grande o click do obturador ainda validaram mais a minha decisão. Dada a minha paixão pela escala decidi completar a X-T1 com a minha primeira lente prime: a XF 18mm F/2.

Hoje tenho ainda as XF 16mm f/1.4, XF 35mm f/2, e XF 56mm f/1.2 e mais recentemente passei da X-T1 para a X-T2.


Utilizas o Instagram como a plataforma central para exibires o teu trabalho, de que forma é que esta escolha influencia a tua fotografia?

Bem cedo comecei a utilizar o Instagram como a minha plataforma para partilhar fotografias, convertendo a minha galeria de selfies e comida num portfólio real de fotografia. Olhando para trás o Instagram teve um impacto significativo no meu crescimento como fotógrafo. Entrei em contacto com inúmeras pessoas muito interessantes, com um talento incrível e acima de tudo com pessoas de todo o mundo que me apoiam no meu trabalho e que de outra forma nunca teria conhecido. Na realidade, esta comunidade continua a ser a melhor forma de obter feedback para o meu trabalho, contribuindo de grande forma para o meu crescimento enquanto criativo. Sem esquecer que com as novas ferramentas - as stories são as minhas favoritas - o Instagram oferece novas formas para trabalhar as narrativas e relacionar-me com o meu público.


Há sempre nas tuas publicações e histórias no Instagram um sentido formativo. Também lançaste um conjunto de presets para o lightroom, o que nos podes dizer sobre isso?

Sim, claro. sabendo o que ganhei desta comunidade enquanto crescia na fotografia sempre foi um compromisso meu dar tudo o que podia de volta. Seja através das fotografias diárias que publico (muitas vezes descrevendo técnicas que utilizei na captura ou edição), seja pelas stories (demonstrando técnicas de edição passo-a-passo) ou através do meu blogue (partilhando dicas, ferramentas e melhores práticas), faço o melhor para que a fotografia seja acessível a toda a gente.

Dentro da mesma linha, tento criar e publicar ferramentas e recursos que ajudem os fotógrafos a acelerar a sua arte. Até hoje já publiquei duas coleções de presets para o lightroom para ajudar os outros a recrear o mesmo look and feel que as minhas fotos têm. Também estou a terminar um pequeno livro sobre como uma pessoa deve começar na fotografia e uma app para ajudar os instagrammers a organizar e copiar as hashtags sem qualquer esforço.

Esta é apenas um resumo dos projectos que tenho para oferecer à comunidade, tenho mais alguns, mas estou limitado pelo tempo que tenho fora do meu trabalho.


Onde te vês no futuro, no que diz respeito à fotografia?

Eu penso que a fotografia, tal como o design, simplesmente funcionam como uma lente pela qual continuarei a criar produtos, histórias e experiências. penso que nunca farei o caminho para me tornar um fotógrafo a tempo inteiro. mas agrada-me bastante pensar nela como um conjunto de aptidões aos quais posso recorrer e que me permitem também continuar a relacionar-me com outros criativos.

No final de contas, sou apenas alguém com uma grande paixão para criar e ajudar os outros. Ao mesmo tempo, se conseguir continuar a fazer isto, dou-me por feliz!