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X-E3 NOTES - Vera Marmelo

X-E3 NOTES - Vera Marmelo

A Vera Marmelo foi uma das testers da nova câmara da familia X, A XE3. A fotógrafa Portuguesa pode testar a câmara bem antes do seu lançamento, durante o último verão - estas são as suas notas para a Fujifilm sobre a câmara: focadas no tipo de trabalho que produz - fotografia de concertos musicais - e na comparação à XT2, a sua câmara habitual.

A minha actividade principal, no que à fotografia diz respeito, é o registo de concertos. Quando a XE3 me veio parar às mãos estavamos em plena época de festivais em Portugal e consegui usá-la em diversos espetáculos, mas também em caminhadas ao longo do dia nos locais onde os festivais estavam a decorrer. Isso incluiu, claro, as piores condições de luz possíveis e as melhores vistas sobre o oceano.

A minha história com a Fuji é a que se segue: Comecei com uma X-T1 e agora uso, para todo o meu trabalho, uma X-T2). Ambas têm sobrevivido a palcos enormes e pequenos, com iluminação espetacular e iluminação extremamente má) sobreviveram a casamentos e sessões de retratos, bem como às minhas viagens e ao uso diário para alimentar o meu Instagram com aquele final de dia que só a luz de Lisboa nos dá. Portanto, decidi usar a XE3 como uso a minha X-T2, ou seja, para tudo.

Não sou o tipo de fotógrafo que menciona aquela incrível possibilidade que podem encontrar escondida no menu da câmara: uso sempre a câmara em modo Manual e não tenho muito tempo para passar por menus para mudar as coisas. Quero tudo na mão e quero sempre poder ver o que está na minha frente enquanto navego no menu.

Talvez não me tenha dado tempo suficiente para programar um botão rápido adequado, talvez também deveria ter explorado um pouco mais os menus e como aceder a eles, mas é assim que uso uma câmara, não explorando muito, apenas querendo que ela dê o que eu preciso com a menor quantidade de botões e seleção para cima e para baixo, mesmo existindo na XE3, tal como na X-T2, um joystick com o qual eu me poderia casar.

 

 

Dito isto, o que procurei na câmara foi:

Focagem rápida — Fiquei mesmo impressionada. Usei a câmara com a 35mm 1.4 e a 50mm 2.0. Não achei que respondessem tão rapidamente como a minha X-T2. Ou, pelo menos, descobri que a pobre câmara estava um pouco perdida, e pensei que a X-T2 não estaria. Mas estava a tentar tirar uma foto a uma DJ, a dançar no meio de um clube com luzes vermelhas e violetas, pouca luz e vestida mesma cor que as luzes, faltando mencionar que eu havia previamente desligado a luz que ajudava a focar. Mas posso dizer, com toda a certeza que é muito superior à minha X-T1. Existem as diferenças entre as lentes e gostei mais de a usar mais com a 50mm 2.0, por uma questão de tamanho da lente e, claro, à rapidez de foco quando acoplado a estas câmaras.


ISO e a qualidade da imagem com pouca luz — A primeira vez que peguei na câmara e tive de usar  ISO 10 000, o “leitor” RAW ainda não estava disponível e só podia ver os JPG. Considerando o meu tipo de imagens e conhecendo as dificuldades que dou à câmara, com uma luz tão fraca, devo dizer que, mais uma vez, fiquei realmente impressionada. Faltará apenas um pouco de nitidez e mais grão, apenas para que não fosse tão suave que quase parecia artificial, mas, mais uma vez, é um JPG ISO 10 000 que sai de uma câmara que é tão grande quanto a minha mão. As cores foram (são sempre) excelentes, diretas da câmara, e mesmo quando há demasiado vermelho consegui alguma magia no JPG, editando-o no Photoshop ou mesmo no meu telefone.

Acesso rápido aos comandos e botões — Estou acostumada a ter acesso rápido ao botão ISO.

Preciso mesmo deste botão. Talvez, como mencionei na minha apresentação, deveria ter procurado melhor a possibilidade de o alcançar o menu rápido ou programa-lo, mas não quero estar a olhar para o lado do meu ecrã quando estão a acontecer coisas na minha frente e também não quero estar sempre a usar o joystick para alcançar o alto ISO de que preciso. Mas o público-alvo desta câmara irá, provavelmente, usá-la num ambiente mais controlado ou mesmo tudo automático.

Outra coisa que notei, em comparação com a Fuji X-T2, é a rigidez dos botões. Sendo uma câmara tão pequena gosto de a usar apenas numa mão, para fazer disparos rápidos de rua — levantar, olhar, disparar — e, ao fotografar no modo Manual, o botão de velocidade pareceu-me muito rígido e difícil de rodar. Tenho que fazer um movimento tão bruto com os dedos que o corpo da câmara também se move.

Tamanho e aparência da câmara — Impressionante, poderia facilmente viver com uma câmara pequena como esta obtendo resultados semelhantes à minha X-T2. Mas, novamente, a minha mão, sendo bastante grande, precisa de uma maior aderência, um pouco mais de altura no lado direito para formar uma pega, para que me sinta mais confortável, sabendo que não vai escorregar a mão e até conseguir um pouco mais de equilíbrio com uma lente como a 35mm 1.4, que é muito mais pesada que a 2.0 e nem consigo imaginar com um zoom. Mas, novamente, é suposto ser pequena e é ótima e linda.

Electronic View Finder (EVF) — Estou acostumada com o da X-T2 e não consegui encontrar grande diferença. Foi sempre rápido e de acordo com o que medi. A localização do visor é apenas uma questão de hábito. Com a X-T2, ao estar no meio, é mais fácil mudar de horizontal para vertical, mas isso é um problema meu, dos meus hábitos, e não com a câmara.

Touchscreen — Encontrei-o por acidente e saltei de emoção. Um pequeno “luxo” para a geração smartphone.

Não sou a pessoa mais exigente no que toca a especificações e mil hipótese de menus e desempenhos da máquina. Quero que a câmara responda rapidamente, que foque rapidamente e que não me faça ter de olhar para mais nada além do meu tema. Depois de ter uma câmara Fuji também quero o silêncio do obturador. Quero imagens que garantam o melhor equilíbrio possível nas luzes e quero jogar com a cor ao meu belo prazer. Navegar com o joystick para focar rapidamente e ter a “realidade” no EVF é o que eu mais quero. Na X-E3 era quase tão fácil de obter tudo isto como com a minha domesticada e querida X-T2.

 

www.veramarmelo.pt